Essa pesquisa levou-o aos 3 cantos do mundo, incluindo a Portugal, país que ele considera único e exemplar na forma como politica e socialmente lida com este problema.
E tudo isto porque tem toxicodependentes na familia e queria perceber melhor o mecanismo da adição.
Porque é que algumas pessoas usam drogas e param quando querem e outras não são capazes de o fazer?
Será que a penalização do consumo de drogas resolve alguma coisa?
Qual é a natureza da adição a drogas?
O que leva algumas pessoas a tornarem-se dependentes de químicos?
Já abordei este tema há dias quando falei das diferentes abordagens terapeuticas ao problema da adição.
Ou seja, há por um lado quem considere a adição uma doença primária, logo não tendo nada subsequente a ela, e por outro lado há quem considere a adição como uma espécie de auto-medicação em que o adito usa as drogas para lidar com algo que está subjacente.
As conclusões a que ele chega no final coincidem com a minha opinião.
Não se começa a usar drogas por se ser masoquista ou louco.
As drogas usam-se porque têm uma função.
Para alguns aditos, essa função é essencial, pois elas colmatam uma inaptidão social e uma inexistencia de relações interpessoais saudáveis.
Mesmo que tudo isto esteja mascarado para quem os observa.
Mesmo que aparentemente sejam funcionais, ao nível dos relacionamentos interpessoais existe uma disfunção, muitas vezes mesmo, um vazio.
Quem conhecer um adito a drogas que no inicio do seu uso fosse alguém bem estruturado mentalmente, com laços afectivos e sociais saudáveis, por favor apresentem-mo.
Obviamente que não sou médico e não faço ideia se algo se passa a nível do cérebro que possa ser considerado como uma doença.
O que sei é que os médicos estão divididos em relação a esta questão.
O que sei é que sem relações interpessoais saudáveis ninguém pode ser considerado são.
Daí que ele considera que o oposto da adição não é a sobriedade.
O oposto da adição são as relações.
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