Existem doenças tramadas.
Doenças que além de nos fazerem mal, fazem mal a quem nos rodeia.
É o meu caso.
Em Agosto de 2014, uma dessas doenças afastou-me da Flika.
Aliás, afastou-me da vida.
Não interessa minimamente saber que doença é, pois o que é, é, e nada mais interessa.
E o que é, foi um corte brutal com a vida que eu tinha. Para o bem e para o mal.
Num dia estava a viver com ela e no outro estava a quilómetros dela.
E, a partir desse dia, enquanto lutava com todas as minhas forças contra essa doença, fui criando metas para a minha vida.
Objectivos concretizavéis que tornassem justificado o sofrimento fisico e emocional que estava diariamente a suportar.
E uma dessas metas era reunir-me com ela e recomeçar o resto das nossas vidas.
E, passados cinco meses, o dia do reencontro aconteceu.
Não na nossa casa, mas numa casa que me é querida e onde ela foi acarinhada enquanto esperou por mim.
Foi algo de maravilhoso poder tornar a ve-la, senti-la, beija-la.
Tornar a sentir o calor do seu corpo encostado a mim.
Tornar a ver as suas pequenas idiosincrasias que a tornavam única e especial para mim.
Enfim, sentir que estavamos perto de tornar a ser uma familia.
E este foi o video que fiz nesse dia 23 de Janeiro de 2015.
O You Tube retirou a banda sonora por causa da questão de direitos de autor mas eu até prefiro reve-lo assim.
Em silencio.
Para poder senti-lo sem interferencias.
Pois este é o ultimo video que fiz dela.
A morte iria chegar passado um mes e tal.
Sem dar aviso prévio.
Impiedosa e implacável.


