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segunda-feira, 14 de março de 2016

Curto Ensaio


Olha Flikinha, pediram-me para escrever umas palavras que descrevesse a nossa relação.
Já sabes que isso não é fácil para mim pois além de me fazer sofrer parece-me sempre que as palavras ficam aquém dos sentimentos e das emoções.
Como posso descrever o laço que me une a ti em palavras?
Um laço que nem a morte quebrou?
Tu entraste na minha vida, uma vez que, logo desde o inicio, me abriste o coração.
Naquele dia em que te conheci, eu nunca pensaria que viria para casa com o compromisso assumido de adotar uma cadela.
Sim, porque naquela altura tu ainda eras somente uma cadela.
Eu ainda classificava os seres vivos em superiores e inferiores.
Algo que tu mudaste em mim em menos de um mês.
De uma forma simples e pura, sendo somente TU, fizeste com que todos os meus conceitos se alterassem.
Pois ao fim de um mês tu já não eras somente uma "cadela".
Eras minha filha.
Tu fizeste aquilo que nenhum ser humano havia conseguido.
Fizeste-me sair do meu umbigo.
E fomos-nos conhecendo.
Foi um processo onde, a partir de uma dada altura, também entrou a dor pois tu não eras saudável.
E isso serviu para que, sem qualquer esforço, eu começasse, pela primeira vez na minha vida, a colocar alguém sempre á minha frente.
Em que o meu único objetivo era fazer-te feliz.
Sem reservas.
Todas as vezes que tu tinhas um daqueles ataques horríveis eu rezava para que aquilo acontecesse a mim e não a ti.
E a nossa ligação foi-se fortalecendo.
Cada vez mais nos fomos conhecendo melhor.
A propósito disto, sabes que me dizem que com um cão é diferente porque supostamente vocês não falam connosco?
Pois é, como se tu não falasses comigo.
Esta parte é difícil de explicar ás pessoas, sabes?
Porque só quem a viveu é que sabe o que é a linguagem do coração.
A linguagem que não precisa de verbo.
A linguagem que é expressa com o olhar, com o gesto, com o comportamento.
Até com o som da respiração.
Eu sabia tudo o que tu sentias ou querias.
E tu sabias dizer-me tudo o que sentias e querias.
Até chegar ao ponto de eu sentir quando estavas ali atrás no sofá a olhar para mim a pedir para irmos dar uma volta.
Tal como tu sentias tudo o que se passava comigo, tudo o que eu estava a sentir.
Sempre.
Contigo nunca senti a falta da comunicação verbal.
Nunca me senti sozinho quando estávamos os dois aqui na sala, no carro, no jardim ou na nossa praia da Torre.
E quando passámos a viver os dois sozinhos, tudo se aprofundou.
A minha vida passou a ser vivida integralmente contigo.
Como uma matilha.
E aí além de minha filha, passaste a ser a minha companheira, a minha amiga.
Na verdade, é ingrato tentar colocar isto tudo em palavras.
Pois estamos a falar de simbiose.
Do entendimento perfeito entre dois seres.
Sem ciume, sem inveja.
Com entrega e sem reservas.
Em que se sente que nada mais falta.
Pois era assim que me fazias sentir.
Foi a primeira vez na minha vida em que me senti livre num relacionamento com outro ser vivo.
Em que não sentia necessidade de pedir algo em troca, em que nada esperava do outro lado, em que não sentia medo, insegurança, incerteza.

Em que sentia PAZ.
Uma paz que transbordava para todas as áreas da minha vida.
Pois tu ajudaste-me a ser um melhor ser humano.
Mais compassivo.
Mais tolerante.
E foi por isso que me salvaste a vida numa altura de doença.
Numa altura em que foste a minha ancora.
Pois, mesmo nessa altura em que eu funcionava em modo de sobrevivência, tu eras mais importante para mim do que eu próprio.
E então como é possível escrever umas linhas e ficar com a sensação mínima que descrevi o meu relacionamento contigo?
Não, não é possível isso acontecer.
Tudo será pouco.
Pois a sensação que tenho é que isto só acontece uma vez na vida.
Daí a sensação de que contigo partiu parte de mim.
E de que aquela PAZ que sentia contigo é agora uma quimera.
Pois os seres humanos tem características que tu não tinhas.
Nós somos egoístas, ciumentos, invejosos, intolerantes, arrogantes, controladores, manipuladores.
Vimos o mundo numa falsa perspetiva dualista, em que o nosso Eu está separado dos outros Eus.
Não somos capazes de amar incondicionalmente a não ser quando somos Mãe.
Brigamos, mentimos e ficamos ressentidos quando nos ofendem.
Até nos matamos uns aos outros.
Uns mais umas coisas, outros mais outras coisas.
Imagina tu que até há quem ganhe dinheiro a ensinar seres humanos a interagirem uns com os outros.
E a contrabalançar tudo isto somente temos mais alguns dígitos de QI do que tu.
O que é muito pouco. 
Pois tu, com menos QI, ensinaste-me coisas que nunca ninguém me tinha ensinado.
Viver o momento presente sem estar agarrado ao passado e com medo do futuro.
Amar por amar.
Não ser preciso perdoar por não existir uma ofensa.
Contentamento.
Felicidade em SER e não em TER.
Tudo isto me ensinaste tu.
Sem falares comigo.
Pois tu foste muito mais do que a minha gorda preta teimosa.
Foste mais do que minha filha, minha companheira, minha amiga.
Tu foste, e ainda és, a minha Mestre.
Pois tu deste-me uma coisa que, á excepção dos meus Pais, é impossivel os outros seres humanos me darem.
Tu deste-me  uma Garantia de Amor Eterno.
Uma fonte de Amor inesgotável.
Contigo, eu tinha, em vez de uma, duas certezas na vida.
A Morte e o teu Amor.
E agora voltei a ter só uma.







segunda-feira, 7 de março de 2016

Mãe


A minha Mãe fez anos ontem e eu pensei em escrever algo.
Para já, não lhe dou os parabéns nem ponho aqui uma foto dela, pois ela não gosta de receber parabéns e se pusesse uma foto ela iria logo encontrar defeitos nela.
E quando amamos alguém há que respeitar as suas idiosincrasias.
Quanto ao que vou escrever, a coisa é mais dificil.
O que se diz a alguém que me deu vida?
O que se diz a alguém que me ama incondicionalmente?
O que se diz a alguém que esteve incondicionalmente do meu lado em todas as circunstancias da minha vida?
O que se diz a alguém que suportou de mim coisas que nem o meu melhor amigo suportava?
O que se diz a alguém que me perdoou coisas que eu não perdoei a mim próprio?
O que se diz a alguém que recebeu, cuidou e amou a minha Flika até ao seu último dia nesta vida, numa altura em que isso era tão importante para mim como o ar que respirava?
Provavelmente, nada. 
Pois qualquer frase feita ou discurso de gratidão ficará aquém dos sentimentos.
Assim, o que poderei escrever?
Talvez melhor do que escrever seja Ser.
Ser um filho.
Em toda a acepção da palavra e em tudo o que isso implica.
Pois uma relação maternal não tem um só sentido.
E é uma relação para a vida.
Aliás...eu acredito que não se limita só a isso.






quinta-feira, 3 de março de 2016

Um Ano de Dor


Como estás Flikinha?
O pai não sabe onde estás e por isso preocupa-se.
Além da saudade, dor e vazio que sente desde que partiste há um ano, também sente preocupação.
Só queria agora saber que estás bem, pois estava habituado a tomar conta de ti e agora não posso fazer isso. 
Tu sabes muito bem que és uma gorda linda mas muito teimosa. 
Lembras-te de certeza das vezes em que me fizeste perder a cabeça como daquela vez que recebi um telefonema duma obra onde tinhas ido parar por te teres perdido a coscuvilhar.
Pois a tua coleira tem o meu nome e número de telemovel e eles ligaram-me.
Mas depois não conseguia zangar-me contigo.
Tu fazias aquele olhar que tu sabes e eu fraquejava.
Fraquejava sempre não era?
Eu só me consegui zangar contigo nos primeiros tempos.
E mesmo assim só demoraste um mes a conquistar o teu lugar na cama.
Mas sabes que mais?
Não me importo de o ter feito.
Hoje até te daria mais mimo do que aquele que te dei durante a nossa breve vida em conjunto.
Porque os 6 anos que tivemos valeram por uma vida inteira.
Se eu te enchi de mimo tu encheste-me de Vida.
De Luz.
E agora sinto a tua falta, Flikinha.
Todos os dias.
Sinto a falta de toda a Vida que me davas diariamente.
Sinto a falta da tua presença fisica.
Sinto a falta da tua presença ali atrás no sofá a olhar para mim ou a fazer cromisses.
Sinto a falta de tudo o que tu És.
É que agora o coração do pai está doente.
Tem uma ferida.
Uma ferida que não sara.
Uma ferida que está sempre a abrir.
Basta um cheiro, uma lembrança, um local, uma sensação, uma perceção, uma emoção.
E a ferida torna a abrir.
Pois a ferida és tu e tu não vais sair nunca do coração do pai.
Eu é que vou ter de me habituar a viver com a ferida.
Pelo menos é isso que dizem ao pai.
Olha, Flikinha, eu não sei se isso é verdade.
Não sei mesmo.
Pois esta dor é algo de novo para o pai.
Amanhã faz um ano em que recebi um telefonema que me tirou o chão debaixo dos pés.
De repente, em segundos, a minha vida mudou da luz para a escuridão.
A minha meta principal nesta vida que era ir buscar-te para recomeçarmos a viver, foi-me tirada.
E agora o pai tem de viver assim.
Tu sabes tudo isto pois o pai fala contigo todos os dias.
Apesar de não estares aqui tu continuas a ouvir-me.
Todas as noites o pai se despede de ti como fazia quando estavas ali na cama ao meu lado.
A maior parte das vezes já a dormir, lembras-te?
Pois tu continuas a viver dentro do coração do pai.
A tal ferida que não sara.
É por isso que me despeço sempre de ti com um "até amanhã" e nunca com um "adeus".
E agora o pai vai parar por aqui Flikinha.
O pai agora vai ter de ir fazer algumas daquelas coisas que te faziam perder a paciencia quando querias ir á rua e o pai não largava o computador.

Talvez até daqui a pouco esteja a conseguir rir e dizer umas piadas a alguém.
Pois rir faz-me bem e tu sabes isso pois entre nós houve sempre riso e alegria.
Mesmo nos maus momentos e tivemos alguns.
Isto até a ferida abrir outra vez.

Mas não te preocupes com o pai.
Porta-te bem onde quer que estejas e não faças asneiras.
Pois já te disse que me preocupo contigo.
Até amanhã gorda linda do pai.
O pai ama-te muito.
Sempre e para sempre.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Ciúme e Violência


Parece que a violência nas relações amorosas está na moda em Portugal parecendo que queremos concorrer com países como o Afeganistão nessa área das ofensas aos direitos humanos.
Mas o que está por trás desta violência que não acredito seja só de agora mas sim reflexo de já não ser um crime privado?
A APAV abrange e muito bem na chamada violência domestica também a violência exercida antes da vida a dois, ou seja na fase de namoro e classifica-a em vários tipos.
Desses tipos, alguns não deixam dúvidas sobre o facto de serem violência, mas existem alguns como a violência psicológica e a social que nalgumas cabeças deixam dúvidas.
Assim, num inquérito feito a jovens muitos não consideravam ser violência alguém proibir o parceiro de sair com certas pessoas, controlar o conteúdo do Facebook ou ligar ou mandar mensagens constantemente a controlar o outro, comportamentos que se englobam naqueles dois tipos de violência, a psicológica e a social.
Ou seja, as vitimas aceitam esse comportamento como justificado.
Assim, temos por um lado alguém a querer controlar a vida de outra pessoa e essa pessoa a achar que tal é justificado ou desculpável.
E aí, na minha opinião, entramos no cerne da questão.
O ciúme.
Há 2500 anos o Buda apontava o ciúme como um dos cinco venenos da humanidade.
E é fácil entender porquê.
O ciúme representa o oposto do amor puro.
Pois no ciúme não existe amor mas sim apego.
O verdadeiro amor é o desejo e a capacidade de dar felicidade aos outros.
O apego é o desejo de retirar aos outros felicidade para nós.
E estes ensinamentos do Buda são secundados pela moderna psicologia que considera o ciúme  como "a manifestação de um profundo complexo de inferioridade de certa personalidade, sintoma de imaturidade afetiva e de um excessivo amor-próprio, pois, o ciumento não se sente somente incapaz de manter o amor e o domínio sobre a pessoa amada, de vencer ou de afastar qualquer possível rival, sobretudo, sente-se ferido ou humilhado no seu amor próprio.
Assim, para o sujeito ciumento não existe o outro mas somente a si próprio.
Ele até pode achar que ama, mas o que ele busca na relação é a auto-estima que não tem.
É claro que isto não é linear e existem diferentes tipos ou estágios do ciume que a psicologia caracteriza como Normal, Neurótico e Paranoico, sendo que o Normal é quando o ciúme acontece ocasionalmente.
Mas mesmo este, para mim, não é uma condição emocional e espiritual saudável, pois uma saudável auto-estima impossibilita que alguém se sinta ameaçado por um terceiro sujeito.
Mas a partir daqui a psicologia é unânime em concordar que os outros tipos de ciume são um fator destrutivo numa relação.
Na verdade, quando o ciúme se torna psicótico, ou Síndrome de Otelo, o sujeito pode praticar atos de violência física como o homicídio e suicídio.
Mas e as vitimas? Como se compreende que muitas não se considerem vitimas?
Porque acreditam, por exemplo, que quando alguém lhes controla o modo de vestir, ou com quem falam, ou o que fazem nos tempos livres, tais comportamentos são justificados?
Sinceramente, não sei. 
Estranho, principalmente quando se tratam de pessoas cultas, inteligentes e sem historial de complexo de vitima.
O que sei é que enquanto existirem personalidades ciumentas a se encontrarem com vítimas que não reconhecem que são vitimas, as más noticias nos jornais não terminarão.



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Parabéns, Batata



Hoje a minha sobrinha Catarina faz 15 anos.
Pois é, a minha Batata faz 15 anos e eu gostava de, nesta data simbólica, lhe transmitir algo de útil, tal como tentei fazer com o Tiago.
Vai ser dificil pois não sou mulher e nunca conseguirei penetrar dentro da complexidade da psique feminina. Mas posso tentar.
Assim, aqui vai.
Catarina, para começar, quero dizer-te que, ao contrário do que muita gente pensa, ser mulher é um privilégio, pois as mulheres são a fonte da vida. 
Nós homens somos uns meros auxiliares pois hoje em dia vocês já nem precisam da nossa presença fisica para gerarem um filho. 
Tu que acreditas em Deus, lembra-te que se as coisas são assim, é porque Ele quis que fossem assim.
Mas é um privilégio que acarreta responsabilidades.
Assim, nunca te esqueças de te amar pois só amando-te podes amar os outros.
Amar-te significa respeitar-te pois só respeitando-te podes respeitar os outros.
Ama e respeita o teu corpo não o idolatrando nem odiando.
Ama e respeita a tua mente e aprende a conhece-la.
Ama e respeita as tuas emoções mas aprende a controla-las.
Ama e respeita os teus sentimentos aceitando-os como parte de ti.
Em relação ao amor, quero dizer-te que as histórias de amor de Hollywood são uma treta.
São uma treta pois acabam quando tudo começa.
Dizem-te que o que conta é encontrar a pessoa certa quando o que conta é o que vais fazer com a pessoa que encontras, pois não há pessoas certas ou pessoas erradas.
A história de amor começa quando se encontra alguém e se inicia uma caminhada na vida com essa pessoa.
Pois quando começamos a estar apaixonados por alguém normalmente pouco mais sabemos do que o seu nome.
Não conhecemos a sua história de vida, os seus gostos, os seus medos, os seus anseios, as suas idiosincrasias.
Uma história de amor é um processo de auto-conhecimento e conhecimento da outra pessoa.
Processo esse que pressupõe confiança, pois sem confiança não pode existir amor.
E tudo isto se aplica ás relações entre as pessoas.
Relações essas que são a razão de ser de andarmos aqui.
Para crescermos e evoluirmos com elas.
Aprende a entregar-te ás relações com as outras pessoas dando de ti em cada uma delas.
Pois ao dares de ti vais receber em troca.
A felicidade encontra-se dando de nós aos outros sem esperar nada em troca, pois a felicidade é inesgotável.
É sempre possível ser mais feliz no dia seguinte.
Vive o dia de hoje entregando-te totalmente a ele mas põe e trabalha com metas para o amanhã.
Para teres sempre um propósito na vida.
Amo-te Batata e endireita essas costas ;-)


domingo, 24 de janeiro de 2016

Reencontro e Despedida



Existem doenças tramadas.
Doenças que além de nos fazerem mal, fazem mal a quem nos rodeia.
É o meu caso.
Em Agosto de 2014, uma dessas doenças afastou-me da Flika.
Aliás, afastou-me da vida.
Não interessa minimamente saber que doença é, pois o que é, é, e nada mais interessa.
E o que é, foi um corte brutal com a vida que eu tinha. Para o bem e para o mal.
Num dia estava a viver com ela e no outro estava a quilómetros dela.
E, a partir desse dia, enquanto lutava com todas as minhas forças contra essa doença, fui criando metas para a minha vida.
Objectivos concretizavéis que tornassem justificado o sofrimento fisico e emocional que estava diariamente a suportar.
E uma dessas metas era reunir-me com ela e recomeçar o resto das nossas vidas.
E, passados cinco meses, o dia do reencontro aconteceu.
Não na nossa casa, mas numa casa que me é querida e onde ela foi acarinhada enquanto esperou por mim.
Foi algo de maravilhoso poder tornar a ve-la, senti-la, beija-la.
Tornar a sentir o calor do seu corpo encostado a mim.
Tornar a ver as suas pequenas idiosincrasias que a tornavam única e especial para mim.
Enfim, sentir que estavamos perto de tornar a ser uma familia.
E este foi o video que fiz nesse dia 23 de Janeiro de 2015.
O You Tube retirou a banda sonora por causa da questão de direitos de autor mas eu até prefiro reve-lo assim.
Em silencio. 
Para poder senti-lo sem interferencias.
Pois este é o ultimo video que fiz dela.
A morte iria chegar passado um mes e tal.
Sem dar aviso prévio.
Impiedosa e implacável.





quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Je suis Istambul et Jacarta


Nos últimos dois dias o Daesh perpretou mais dois atentados.
Um em Istambul e outro em Jacarta.
O modo como o Ocidente reagiu a estes dois atentados tem estado a ser diametralmente oposto ao modo como reagiu aos atentados de Paris.
Os media partilham notícias sucintas e curtas e nas redes sociais continua-se a discutir exatamente as mesmas coisas que se discutiam antes destes atentados.
Como se o que aconteceu na Turquia e na Indonésia fosse diferente do que aquilo que aconteceu em França.
Como se os seres humanos que morreram em Paris fossem diferentes ou tivessem mais significado do que aqueles que morreram em Istambul e em Jacarta.
Como se fosse moralmente aceitável que um ato terrorista tenha várias graduações consoante os locais onde é perpretado.
Todas estas considerações leva-me a esta pergunta:
Afinal qual a diferença entre as pessoas que se divertiam nas esplanadas de Paris e as pessoas que visitavam um local turístico em Istambul?
Nenhuma.
Não existe nenhuma diferença a não ser o modo como as suas mortes são percepcionadas e sentidas pelo público e pelos media.
O que não abona nada em favor da espécie humana.