A minha vida mudou para melhor quando esse ser vivo maravilhoso chamado Flika entrou nela. Ela foi a minha epifania. O modo como olho para mim, para os outros e para a vida foram alterados, transcendidos. Daí que, escreva eu o que escrever aqui, tal será fruto disso. Pois a Flika vive em mim.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
4 de Janeiro de 2000
O que se diz a um sobrinho que faz hoje16 anos?
Sobrinho que também é meu afilhado?
Sinceramente não sei...
Lembrar-me de como eu era quando tinha 16 anos não ajuda pois estávamos em 1976 e essa época nada tem a ver com a que vivemos hoje.
E não acho que isso funcione assim.
Mas há coisas que não mudam com o tempo.
Há coisas que nos fazem ser melhores seres humanos quer vivamos em 1976 ou em 2016.
E nisso talvez possa ser útil para ele.
Talvez possa partilhar com ele algumas dessas coisas e esperar que ele possa evitar algumas das tentativas-erro que eu tive de ultrapassar desde 1976 até hoje.
Assim posso dizer-lhe que olhe para os outros seres humanos do mesmo modo como olha para si mesmo.
Com os mesmos anseios, medos e desejos.
Pois não existem nem raças, nem credos, nem géneros, mas tão-somente seres humanos.
Posso dizer-lhe que essa treta da competição não passa disso mesmo, duma treta.
Na vida não interessa superar o próximo mas sim superar-nos a nós próprios.
Aqueles de quem não gostamos são os nossos verdadeiros mestres pois é com eles que aprendemos a conhecer-nos.
Posso dizer-lhe para respeitar e honrar as mulheres que entrarem na sua vida pois só assim se respeitará a si próprio.
Posso dizer-lhe que a violência nada resolve e que a verdadeira coragem é ter medo mas não deixar de fazer o que é bom para nós apesar de sentirmos medo.
Posso dizer-lhe que a verdadeira felicidade é medida consoante aquilo que damos de nós aos outros e não no que os outros nos podem dar a nós.
Finalmente, posso dizer-lhe que olhe para os restantes seres vivos como tendo igual direito que ele a uma vida sem sofrimento.
Pois todos dependemos uns dos outros, quer sejamos humanos ou não-humanos.
Parabéns, Tiago.
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