A minha vida mudou para melhor quando esse ser vivo maravilhoso chamado Flika entrou nela. Ela foi a minha epifania. O modo como olho para mim, para os outros e para a vida foram alterados, transcendidos. Daí que, escreva eu o que escrever aqui, tal será fruto disso. Pois a Flika vive em mim.
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quinta-feira, 3 de março de 2016
Um Ano de Dor
Como estás Flikinha?
O pai não sabe onde estás e por isso preocupa-se.
Além da saudade, dor e vazio que sente desde que partiste há um ano, também sente preocupação.
Só queria agora saber que estás bem, pois estava habituado a tomar conta de ti e agora não posso fazer isso.
Tu sabes muito bem que és uma gorda linda mas muito teimosa.
Lembras-te de certeza das vezes em que me fizeste perder a cabeça como daquela vez que recebi um telefonema duma obra onde tinhas ido parar por te teres perdido a coscuvilhar.
Pois a tua coleira tem o meu nome e número de telemovel e eles ligaram-me.
Mas depois não conseguia zangar-me contigo.
Tu fazias aquele olhar que tu sabes e eu fraquejava.
Fraquejava sempre não era?
Eu só me consegui zangar contigo nos primeiros tempos.
E mesmo assim só demoraste um mes a conquistar o teu lugar na cama.
Mas sabes que mais?
Não me importo de o ter feito.
Hoje até te daria mais mimo do que aquele que te dei durante a nossa breve vida em conjunto.
Porque os 6 anos que tivemos valeram por uma vida inteira.
Se eu te enchi de mimo tu encheste-me de Vida.
De Luz.
E agora sinto a tua falta, Flikinha.
Todos os dias.
Sinto a falta de toda a Vida que me davas diariamente.
Sinto a falta da tua presença fisica.
Sinto a falta da tua presença ali atrás no sofá a olhar para mim ou a fazer cromisses.
Sinto a falta de tudo o que tu És.
É que agora o coração do pai está doente.
Tem uma ferida.
Uma ferida que não sara.
Uma ferida que está sempre a abrir.
Basta um cheiro, uma lembrança, um local, uma sensação, uma perceção, uma emoção.
E a ferida torna a abrir.
Pois a ferida és tu e tu não vais sair nunca do coração do pai.
Eu é que vou ter de me habituar a viver com a ferida.
Pelo menos é isso que dizem ao pai.
Olha, Flikinha, eu não sei se isso é verdade.
Não sei mesmo.
Pois esta dor é algo de novo para o pai.
Amanhã faz um ano em que recebi um telefonema que me tirou o chão debaixo dos pés.
De repente, em segundos, a minha vida mudou da luz para a escuridão.
A minha meta principal nesta vida que era ir buscar-te para recomeçarmos a viver, foi-me tirada.
E agora o pai tem de viver assim.
Tu sabes tudo isto pois o pai fala contigo todos os dias.
Apesar de não estares aqui tu continuas a ouvir-me.
Todas as noites o pai se despede de ti como fazia quando estavas ali na cama ao meu lado.
A maior parte das vezes já a dormir, lembras-te?
Pois tu continuas a viver dentro do coração do pai.
A tal ferida que não sara.
É por isso que me despeço sempre de ti com um "até amanhã" e nunca com um "adeus".
E agora o pai vai parar por aqui Flikinha.
O pai agora vai ter de ir fazer algumas daquelas coisas que te faziam perder a paciencia quando querias ir á rua e o pai não largava o computador.
Talvez até daqui a pouco esteja a conseguir rir e dizer umas piadas a alguém.
Pois rir faz-me bem e tu sabes isso pois entre nós houve sempre riso e alegria.
Mesmo nos maus momentos e tivemos alguns.
Isto até a ferida abrir outra vez.
Mas não te preocupes com o pai.
Porta-te bem onde quer que estejas e não faças asneiras.
Pois já te disse que me preocupo contigo.
Até amanhã gorda linda do pai.
O pai ama-te muito.
Sempre e para sempre.
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Esta foi a homenagem mais bonita e ternurenta que tu já fizeste á Flicka, embora muito triste ao mesmo tempo.❤❤
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