A minha vida mudou para melhor quando esse ser vivo maravilhoso chamado Flika entrou nela. Ela foi a minha epifania. O modo como olho para mim, para os outros e para a vida foram alterados, transcendidos. Daí que, escreva eu o que escrever aqui, tal será fruto disso. Pois a Flika vive em mim.
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domingo, 21 de fevereiro de 2016
Ciúme e Violência
Parece que a violência nas relações amorosas está na moda em Portugal parecendo que queremos concorrer com países como o Afeganistão nessa área das ofensas aos direitos humanos.
Mas o que está por trás desta violência que não acredito seja só de agora mas sim reflexo de já não ser um crime privado?
A APAV abrange e muito bem na chamada violência domestica também a violência exercida antes da vida a dois, ou seja na fase de namoro e classifica-a em vários tipos.
Desses tipos, alguns não deixam dúvidas sobre o facto de serem violência, mas existem alguns como a violência psicológica e a social que nalgumas cabeças deixam dúvidas.
Assim, num inquérito feito a jovens muitos não consideravam ser violência alguém proibir o parceiro de sair com certas pessoas, controlar o conteúdo do Facebook ou ligar ou mandar mensagens constantemente a controlar o outro, comportamentos que se englobam naqueles dois tipos de violência, a psicológica e a social.
Ou seja, as vitimas aceitam esse comportamento como justificado.
Assim, temos por um lado alguém a querer controlar a vida de outra pessoa e essa pessoa a achar que tal é justificado ou desculpável.
E aí, na minha opinião, entramos no cerne da questão.
O ciúme.
Há 2500 anos o Buda apontava o ciúme como um dos cinco venenos da humanidade.
E é fácil entender porquê.
O ciúme representa o oposto do amor puro.
Pois no ciúme não existe amor mas sim apego.
O verdadeiro amor é o desejo e a capacidade de dar felicidade aos outros.
O apego é o desejo de retirar aos outros felicidade para nós.
E estes ensinamentos do Buda são secundados pela moderna psicologia que considera o ciúme como "a manifestação de um profundo complexo de inferioridade de certa personalidade, sintoma de imaturidade afetiva e de um excessivo amor-próprio, pois, o ciumento não se sente somente incapaz de manter o amor e o domínio sobre a pessoa amada, de vencer ou de afastar qualquer possível rival, sobretudo, sente-se ferido ou humilhado no seu amor próprio."
Assim, para o sujeito ciumento não existe o outro mas somente a si próprio.
Ele até pode achar que ama, mas o que ele busca na relação é a auto-estima que não tem.
É claro que isto não é linear e existem diferentes tipos ou estágios do ciume que a psicologia caracteriza como Normal, Neurótico e Paranoico, sendo que o Normal é quando o ciúme acontece ocasionalmente.
Mas mesmo este, para mim, não é uma condição emocional e espiritual saudável, pois uma saudável auto-estima impossibilita que alguém se sinta ameaçado por um terceiro sujeito.
Mas a partir daqui a psicologia é unânime em concordar que os outros tipos de ciume são um fator destrutivo numa relação.
Na verdade, quando o ciúme se torna psicótico, ou Síndrome de Otelo, o sujeito pode praticar atos de violência física como o homicídio e suicídio.
Mas e as vitimas? Como se compreende que muitas não se considerem vitimas?
Porque acreditam, por exemplo, que quando alguém lhes controla o modo de vestir, ou com quem falam, ou o que fazem nos tempos livres, tais comportamentos são justificados?
Sinceramente, não sei.
Estranho, principalmente quando se tratam de pessoas cultas, inteligentes e sem historial de complexo de vitima.
O que sei é que enquanto existirem personalidades ciumentas a se encontrarem com vítimas que não reconhecem que são vitimas, as más noticias nos jornais não terminarão.
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