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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A moeda final



Chamava-se David Duarte, tinha 29 anos e morreu porque os médicos que o poderiam ter salvo se recusam a trabalhar ao fim-de-semana pelo valor que o Estado paga.
Resumindo, David Duarte morreu por causa de dinheiro.
E isto dá que pensar. 
Ou, pelo menos, deveria dar que pensar a todos nós.
Deveria por-nos a pensar sobre o que realmente pretendemos alcançar enquanto aqui estamos nesta vida.
Qual é o nosso objetivo? O que pretendemos ganhar?
Em suma, qual é a nossa moeda final?
A resposta a esta questão não é difícil. Basta viver alguns anos em sociedade e rapidamente se constata que, para a maioria das pessoas, a moeda final é a riqueza material. 
O dinheiro e tudo o que se pode obter com ele.
Desde criança que se aprende esta crença.
A crença que ao adquirir riqueza seremos felizes.
E esta crença subsiste apesar de constatarmos que é falsa. 
Todos sabemos que existem pessoas ricas infelizes, que a depressão cresce exponencialmente na nossa sociedade sendo Portugal o país europeu onde se receitam mais benzodiazepinas e anti-depressivos.
E mesmo assim, teimamos em continuar a considerar a riqueza material como moeda final.
Apesar de todas as evidencias, persistimos em continuar na nossa insana demanda do Cálice Sagrado.
Continuamos a acreditar na falsa crença que diz que a riqueza traz felicidade.
E na persecução deste objetivo muitas vezes certos valores, como o altruísmo, são deixados de lado.
Para estes médicos que deveriam ter estado de serviço na noite em que David Duarte morreu, a moeda final não será a felicidade mas sim a culpa e a vergonha.
Estes médicos, tal como a maioria de nós, não entenderam que a única moeda final que pode trazer a felicidade é a própria felicidade.
Felicidade que só se obtém se as nossas ações não prejudicarem a expetativa de felicidade dos outros.
Felicidade que se obtém quando saímos do nosso egocentrismo e nos focamos nos outros.
Felicidade que, ao contrário da riqueza material, é inesgotável pois está dentro de nós e não fora.



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