A Flika partiu desta vida há 9 meses e todos os dias sem excepção eu procuro aplicar na minha vida uma grande lição que ela me ensinou: Que o mais sábio é aceitar a vida tal como ela se apresenta.
Com serenidade.
Abraçando-a.
Bocejando e dormindo uma sesta a seguir a um ataque de epilepsia, tal como ela fazia.
Enquanto eu amaldiçoava os céus debatendo-me com a minha impotência perante a doença dela.
Doença que ela aceitou tal e qual como aceitava as secas que eu lhe dava antes de irmos dormir.
Sem graduar ou conceptualizar os fenómenos que aconteciam na sua vida. Sem os classificar como Bom ou Mau.
A Flika gostava mais de umas coisas do que de outras. E fazia má cara quando não gostava de algo ou quando sentia dor.
Mas assim que a sensação desagradável ou a dor desapareciam também desaparecia a má cara.
Pois ela não re-sentia nada.
Absolutamente nada.
Como se soubesse desde sempre o desperdicio que é sentir a mesma coisa mais do que uma vez.
Ao contrário de mim que todos os dias re-sinto a sua partida.
Todos os dias me levanto sentindo que parte de mim partiu com ela.
Embora ela esteja sempre comigo.
Pois o Amor não morre.

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