A minha Flika além de companheira, foi uma mestre para mim.
Todas as minhas percepções e conceitos relativos ao Amor e á Felicidade mudaram desde que ela entrou na minha vida.
Eu acredito que todos os seres vivos, sem excepção, têm duas coisas em comum e que são como que o ADN geral de tudo o que é vida no Universo.
Todos nós fugimos do sofrimento e todos nós buscamos, seja de que modo for, a felicidade. Desde o insecto que busca avidamente satisfazer as suas necessidades básicas de sobrevivencia até ao ser humano, todos os seres vivos, cada espécie á sua maneira, busca a felicidade, o sentir-se bem.
E todas as espécies não gostam de sofrer, só variando o grau em que é percepcionado o sofrimento. Outra coisa que acredito ser universal é a natureza impermanente de todos os fenómenos.
Tudo muda, nada é estável.
E, até hoje, não conheci um único ser humano que lidasse bem com a mudança, com a impermanencia.
O ser humano desde cedo começa a identificar-se com a felicidade em coisas, emoções e sentimentos intrinsecamente impermanentes.
E quando elas acabam, surge a frustração e a busca por nova sensação.
Os brinquedos deixam de ter piada, os namoros e relações acabam, o corpo envelhece ou engorda, o emprego acaba, enfim, tudo tem um fim.
Se pensarmos bem, rigorosamente nada dura para sempre.
E o que acontece é que passamos uma vida inteira agarrados a coisas fogazes e a saltitar entre o beijo da felicidade e o sofrimento quando esse beijo termina.
Os animais pelo contrário estão-se borrifando para isso.
Aceitam naturalmente a impermanencia que a nós incomoda.
Simplesmente, são.
A Flika não tinha maus dias e bons dias.
Simplesmente tinha... dias.
Aceitava tanto o sol como a chuva, a noite como o dia.
Até a doença aceitou naturalmente.
Tal como aceitou a morte. Serenamente.
E foi vivendo com ela que percebi a benesse que é viver o momento presente, que é a única realidade que temos.
Que a felicidade se busca de dentro para fora e não de fora para dentro.
Que felicidade é amar por amar.
Que amar sem apego é permanente. Imutável.
Transcende a morte.
Sem comentários:
Enviar um comentário