Translate

domingo, 6 de dezembro de 2015

Elos


Penso nela todos os dias. 
Na minha Avó.
Quando era criança lembro-me de rezar e pedir para que eu morresse primeiro. 
É claro que isso era egoísmo infantil. Era querer que aquele amor todo, aquele carinho inesgotável, não acabasse nunca.
Assim como queria que nunca acabasse aquela incapacidade que ela tinha de dizer "Não".
Incapacidade que durou toda a sua vida. Pelo menos comigo.
Eu nunca fui de abraços e beijinhos. 
Nunca soube muito bem como mostrar e demonstrar o que sentia. Aliás, estou ainda em fase de aprendizagem.
Mas ela nunca se importou com isso.
Pois ela não esperava nada em troca. A não ser a minha felicidade.
Pois ela ficava feliz com a minha felicidade.
Pois ela sofria quando eu sofria e alegrava-se com a minha alegria.
Mesmo que não concordasse comigo ou não gostasse daquilo que eu fazia.
Pois ela perdoava tudo. Mesmo o imperdoável.
E criou-se um elo. 
Um elo que até hoje não consigo explicar, conceptualizar.
Um elo que resistiu á distância espacial e ás intempéries da minha vida.
Um elo com o único ser humano com quem eu nunca me zanguei.
Um elo indestrutível. Imortal. 




Sem comentários:

Enviar um comentário