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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Luto

Na Psicologia aprende-se que o luto é um processo com 5 fases.
Negação, Raiva, Negociação, Depressão e finalmente, a Aceitação.
Também se diz que não existe uma ordem nas fases nem uma duração, quer das fases quer do processo em si.
Já li muita coisa acerca disto e até consigo identificar estas fases.
O facto de durante meses a minha mente ter negado a morte da Flika, a raiva que sinto quando me apetece bater no Universo por isto ter acontecido, o modo como a minha mente negoceia a sua morte numa tentativa de me sentir no controlo da situação e a dor que diariamente me assola.
Na verdade, ás vezes consigo identificar todas estas fases durante as mesmas 24 horas.
Até chego a pensar que finalmente estou a atingir a aceitação.
Isto é, até entrar em casa e, sem pensar no que faço ou penso, ouvi-la a descer do sofá para me vir saudar. Ou quando estou a comer na cozinha e a vejo com o focinho na minha perna. Ou quando estou na cama e a minha mão a vai procurar. Ou quando penso no dia seguinte e este parece ser algo sem sentido.
É como o amputado que sente dor numa perna que já não existe.
E não há nada a fazer.
Não há uma solução milagrosa para a dor e para o vazio.
A não ser sentir o que houver para sentir, chorar o que houver para chorar e viver um dia de cada vez honrando a sua presença nesta vida, amando como ela me ensinou a amar e
ajudando outros seres vivos como ela me ajudou a mim.





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