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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Impermanência



Eu acredito que tudo no universo é impermanente.
Vida, morte, sentimentos, fenómenos, sensações, emoções, enfim tudo aquilo que percecionamos como sendo a realidade.
Se nos detivermos um pouco e pensarmos em algo que pensamos ser permanente, vemos que isso, seja lá o que for que analisemos, não passa de algo fugidio, fruto de causas e condições interdependentes, todas elas também impermanentes.
Por outro lado, na nossa busca pela felicidade, busca essa que é comum a todos os seres vivos, desde crianças que identificamos coisas e fenómenos exteriores como fonte de felicidade.
Ou é o corpo, o dinheiro, o trabalho, uma qualquer aptidão que possuimos, um sentimento ou uma emoção.
E o que acontece é que, no processo, passamos a identificarmo-nos com essa fonte de felicidade, ou seja, passamos a considerar que essa fonte de felicidade faz parte daquilo a que chamamos Ego, essa falsa identidade que construimos desde crianças fruto de não sabermos quem somos:
O "meu" corpo, a "minha" profissão, o "meu" dinheiro, a "minha" familia, o "meu" carro, a "minha" aptidão, etc etc.
A nossa autoestima passa a basear-se nessas pretensas fontes de felicidade que consideramos ser parte da nossa identidade pessoal.
Ora, como tudo é impermanente, quando algo que consideramos ser "Meu" ou "Minha" desaparece ou sofre uma mudança, lá se vai a autoestima e a sensação de felicidade pelo cano abaixo.
E passamos a vida neste processo de busca e perda que só gera sofrimento.
Mas há uma alternativa.
Ao contemplarmos a natureza impermanente de tudo e começarmos a olhar para a nossa verdadeira natureza que é imortal, tudo muda. A nossa verdadeira natureza é onde estão todas aquelas qualidades espirituais que as tradições religiosas falam.
Todos os seres humanos têm a capacidade de amar, no sentido de querer ver o outro feliz, sem apego. Pode estar destreinada, mas está cá.
Quem teve um filho sabe do que falo. Esse amor que dura até á morte.
Só temos que retirar o apego egoista da equação e deixar de ver o outro como "nosso". Se o fizermos, podemos desfrutar dessa felicidade que tanto buscamos.
Eu ainda não tive um filho humano, mas tive a Flika.
Essa fonte de amor incondicional que me ensinou a praticar o amor livre de apego.
Nesse campo sou um sortudo, pois o amor de um animal é mais estável do que o dos humanos. Não nos amuamos com eles, eles não se brigam conosco, enfim eles estão sempre ali, conosco, sem dúvidas.
E isto acontece pois eles aceitam naturalmente a impermanencia de tudo e amam sem apego, pois não têm essa identidade falsa a que chamamos Ego. 

Eles simplesmente SÃO.
O amor que sinto pela Flika não morreu com a sua partida desta vida.
Esse Amor transcendeu a morte pois ela está em mim e eu só quero a sua felicidade esteja ela onde estiver.
Essa é a felicidade que procuro.
Sem barreiras nem de tempo nem de espaço e que é imortal.
Tudo o resto são fogachos.

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