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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Equanimidade



Há dias a minha psicóloga (sim...toda a gente deveria cuidar da sua saúde mental tal como cuidam da saúde fisica) disse-me algo que me fez pensar.
Eu estava a desabafar sobre a dificuldade que tenho tido em fazer o luto da minha Flika e ela disse-me que, em grande parte, tal se devia por eu ter "humanizado" a Flika...

Bate certo.
Quando se considera os animais como seres de algum modo inferiores a nós - mesmo que isso seja feito a um nivel inconsciente - obviamente que a nivel emocional os arrumamos num lugar diferente dos seres humanos.
Percepcionamo-los a um nivel diferente de nós.
Mas eu descobri que isso é uma ilusão.
Sem nenhum esforço ou trabalho intelectual eu transcendi esse pre-conceito.
Pois não passa de um pre-conceito sem nenhuma base existencial.
O convivio com a Flika derrubou esse pre-conceito que eu tive toda a minha vida e fez nascer um verdadeiro sentimento de equanimidade para com ela e que hoje faz parte de mim.
Daí que, para quem ainda se encontra preso nesse pre-conceito pareça ilógico que se sinta por um cão o mesmo que se sente por um ser humano.
Assim, não fui eu quem humanizou a Flika mas sim o contrário.
Foi ela quem me humanizou a mim. 
Foi ela que me transformou num ser humano um pouco mais livre de pre-conceitos ilusórios e assim mais próximo da minha verdadeira natureza.
E por isso a choro como quem chora por uma irmã ou companheira que partiu.
E por isso é que quando ela partiu, houve uma parte de mim que partiu com ela.
E a isso não há volta a dar.

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